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segunda-feira, 25 de abril de 2011

cosendo com ou sem.



With Or Whitout - Breathe Carolina (Alternative)

With or without you? Definitivamente U2 está no meu Top Five de Bandas preferidas, afinal, durante praticamente 11 anos alguma de suas música fizeram parte da minha vida como trilha de algum episódio desse drama. Não vou falar de banda alguma ou de música alguma, vou contar um pequena parte de uma história que muitos já conhecem e se você não quer ler sobre ela, sobre um romance com misto de amor e terror, pare por aqui.
Tudo começou quando eu tinha 11 anos e fui passar uma parte das minhas férias com meus avós  numa cidadezinha. Eu não conhecia nenhuma daquelas crianças que brincavam na frente da casa dela, eu apenas sentei lá na calçada e fiquei olhando morrendo de vontade de participar, mas, como menina tímida jamais iria me auto-convocar para a brincadeira e sim continuar lá sentada com olhar longe imaginando um monte de coisa das quais agora eu não tenho nenhuma lembrança.
Sabe quando você está distraída e do nada o seu olhar cruza com outro olhar e tudo fica mais lento, você arrepia, suas bochechas ficam avermelhadas, seu estômago doi e vc dá um sorriso tímido de canto? Extremamente charmoso, era o que aquele olhar me parecia, depois do olhar eu avaliei o resto, o tudo, o máximo e eu perdi meu controle naquele olhar, naquele instante.
No mesmo dia eu conheci aquelas crianças, apenas as meninas na realidade, a maioria delas tinha a mesma idade que eu e nos sentamos na esquina da rua para conversar sobre moda, fofocas inúteis de pessoas que eu não conhecia, sobre filmes, musica e sobre meninos. Os meninos tinham acabado seu jogo de futebol e estavam do outro lado da esquina sentados, tomando seu Terere, falando sobre futebol, bebidas, jogos e sobre meninas; a maioria deles era mais velho que eu e me pareciam ainda mais interessantes e aquele olhar que me cruzou ainda mais irresistível.
O dia foi pacato, aquele dia de férias quando você tem 11 anos e está em uma cidade pequena em que você acabou de conhecer várias pessoas novas e não tem intimidade para falar com alguém sobre o que você acabou de pensar e de sentir. Mais a noite fui a casa de uma das meninas, iríamos fazer uma festa do pijama com um cronograma de atividade. O combinado era chegar as 18hrs para o jantar, ficar a beira de piscina conversando e jogando banco imobiliário, entrar por voltas das 21hrs para ver um filme e fofocar e quando não aguentássemos mais, dormir. Acabei demorando para chegar lá, perdi o jantar e morrendo de vergonha apertei a campainha da casa. - Trimdoom! - Eu levantei a cabeça e TUMTUMTUM! meu olhar bateu novamente com aquele olhar e sem falar nada ele gritou - CAROOOL! - e sorrindo virou as costas. Ela desceu correndo me chamou pra entrar e ver o filme, tinha umas 20 pessoas na sala, sem espaço algum pra mim e então ele levantou e pediu pra eu sentar no lugar onde ele estava, e sem dizer uma palavra eu tomei o seu lugar e ele sentou perto da porta.
O filme foi terrivelmente chato porque ninguém ficava quieto e eu não entendi nada, alias eu acho que eu nem prestei atenção, eu ficava lá com olhar longe imaginando um monte de coisa das quais eu não me recordo mais. A unica coisa boa do filme foi que eu acabei conhecendo muita gente incrível que por anos a mais fizeram parte da minha vida e que eu respeito desde aquele dia, um dia ensolarado e quase sem ventos.
Engraçado como quando você é grande e lembra de um dia aleatório da sua infância você sente uma sensação tão leve, como se tudo que esta passando na sua frente fosse um trailer de um filme de menininha e que você quer viver tudo aquilo, para mim, novamente.
O resto dos dias foram assim, conversas, festinhas, e meu olhar de canto pra ele, como se eu não tivesse permissão para olhar diretamente. Tudo estavam ótimo, eu estava feliz, mas acabei descobrindo que ele tinha uma namorada e ela era uma das meninas do grupinho, me senti um pouco mal e meio que como uma traidora, mas eu não sabia até aquele dia.
Eu soube que naquele grupo todos faziam vista grossa sobre aquele romance, porque diziam que eles não se faziam bem, mas mesmo assim eu fiquei triste, afinal, eu tinha 11 anos para entender sobre isso, era bom me imaginar com alguém da maneira que eu imaginava e isso eu sempre fiz muito, mas ficou ali quietinho na minha mente.... até eu voltar para as aulas depois de 1 semana, talvez não!
Essas férias foram as mais produtivas, eu fiquei realmente muito próxima de algumas das meninas que moravam perto da minha cidade e depois das férias nós nos encontramos bastante e nos falávamos sempre por ICQ. Quase 1 ano depois numa festa do Clube eu me deparei com aquele olhar novamente, senti as mesmas coisas da primeira vez, fiquei lá estática olhando pra ele e olhando pro nada e imaginando coisas das quais eu não me recordo mais, até alguém me gritar.  Era a Carolina, irmã dele e a anfitriã dos nossos encontros nas férias passadas. Era tão assustador e maravilhosos, passei muito tempo olhando pro nada e imaginando coisas das quais eu não me lembro mais e assim, de repente, se materializa na minha frente. Eles tinham acabado de se mudar pra minha cidade, foi tudo meio intenso para uma noite que eu não dava nada para acontecer, mas foi uma grande noticia, possivelmente uma intensificação de um amor platônico.


One - Johnny Cash

Nos meses seguintes, ficamos muito amigas, daquelas insuportávelmente iguais, vivíamos juntas, e como bom seres incompreendidos até começamos a pensar juntas, meio telepatia, meio sincronismo feminino, era uma sintonia ótima e o melhor para mim, além de ter alguem para poder falar sobre qualquer coisa em qualquer lugar, era que, eu poderia ver ele todas as vezes que me desse vontade, era mais que um amor secreto, era uma coisa bonita, segura e saudavel e essa coisa durou mais um bom tempo. Eu e ela eramos apaixonadas por Dawson's Creek, tinhamos posters e era sagrado aos sábados depois da aula fazer maratona da série, ele era como o Dawson Leery e com certeza eu me sentia Joey Potter.
Eu tinha 14 anos e eu não era mais aquela gordinha meio nerd, eu era aquele tipo esportivo, banco de couro, air bag e tração nas 4 rodas e ele era alto, loiro, skatista, adorava terere e tinha aquele olhar azul ou esverdeado, eu nunca sabia a cor deles mas eles me balançavam as pernas. Tão estranho sentir isso desde os 11 anos por alguém, sempre achei platonismo puro, ele nunca havia olhado pra mim e quando falava apenas perguntava algo bobo ou pedia uma informação, mas até que algo aconteceu.
Era uma festa de aniversário, do Léo, e ele ficou conversando comigo a noite inteira, eu estava com um vestido azul e de salto com os cabelos longos e ele com uma camisa branca skatista, calça com muitos bolsos de skatista, tênis de skatista e um boné de skatista (haha), ele nunca havia falado tanto comigo e nessa época eu me sentia mais auto-confiante para manter uma conversa com alguém, mas com ele eu ainda tremia, era mais uma criança corajosa de frente com o bicho papão. 
Bom, ele estava interessado em mim e eu morria de amores por ele, nada mais óbvio do que tê-lo beijado e apesar de não ser a primeira vez que eu beijei alguém, com certeza, foi a primeira vez em que eu senti um coração sincronizar com o meu e tudo foi uma loucura, e porque não, uma situação constrangedora, já que, os amigos dele nos deu cobertura, então todos sabiam e as minhas amigas não imaginaram por onde eu estava, e, quando elas souberam, todas deram aqueles gritinhos femininos de extasy, o qual sempre me deixa meio constrangida. 
O melhor de tudo é nós encontramos muitas outras vezes e perto do meu aniversário de 15 anos, ele me pediu em namoro, e, foram 5 anos de namoro, terminando e voltando, brigando e nos reconciliando, amando e odiando, rindo e chorando e todos os outros sentimentos e atitudes de um casal que era uma sintonia tão intensa e explosiva. 
Depois de 5 anos, eu ainda era uma menina ingênua, que ficava estática naquele olhar e quando olhava pro nada ficava pensando em coisas das quais eu não quero me lembrar mais. Eu não devo contar os nossos problemas porque não tem mais importância, foram muitos, de todos os tipos e levo como lição todos eles. 
Incrivelmente que aos 20 anos eu ainda era puxada por aquele olhar e quando ele voltava e ele insistia em voltar, eu voltava... e eu voltava pra ele todas as vezes.
Era intensa, uma sintonia, eu sentia a sua falta diariamente e ele sentia a minha e ambos sabíamos que por mais que o mundo gire a gente fica parado no mesmo tempo, nos mesmos dias ensolarados a beira do lago, ou no terraço do prédio comendo pizza e ouvindo musica e vendo a lua e contando as estrelas, ou até, vendo um filme e depois de 30 mim dormir porque passamos o dia inteiro com os amigos na praia jogando frescobol.
Faz 2 anos que resolvemos estar com outras pessoas, pelo menos eu e ele aposto que a mais tempo, mas nunca consigo deixar tudo aquilo de lado. Chegou a hora! Pois, quando alguém é muito constante na nossa vida e participou de cada subida de degrau, de repente, quando percebemos que estamos ali subindo sozinho, é meio que chocante. Sempre senti uma necessidade de ouvir uma palavra de incentivo, de ouvir suas glórias e como uma cega não ver seus crimes, afinal os heróis cometem crimes para salvar a humanidade, é para um bem maior, ou não, eles apenas salvam sua pele e deixa cravado suas glórias numa árvore em extinção, são tão imperfeitos quanto os anti-heróis. Andei pensando pro nada mais uma vez e pensando em coisas que eu não lembrar, das coisas que eu não quero, achei muito justo separar entre o meu bem e o meu mal. 
Em uma semana eu senti que manter consigo aquilo que não te pertence é sacrificar o que poderia te pertencer, escravizar você mesmo tanto tempo e não pensar que poderia ser livre para realizar 100 grandes feitos para a minha plenitude, e ser injusto, com você mesmo.
Eu não quero mais perder tempo estática olhando pro nada e pensando em coisas que eu não posso me recordar, eu não quero mais isso, esse tempo perdida no olhar de alguém, eu não quero mais perder tempo me sentindo incompleta por não ter, eu não que mais me sentir incompleta porque eu me basto, e isso por enquanto é o suficiente.
Faz 1 semana que eu afastei tudo isso de mim, eu apaguei, eu rasguei, eu queimei, eu bloqueei e eu finalmente excluí qualquer materialidade que eu pudesse tocar ou sentir, como sempre dissemos "Love is a temple, love a higher lawOne life you got to do what you should." 
E hoje eu posso dizer que depois de tudo e mesmo levando em consideração as nossas coisas boas, o nossa sintonia de quando estamos juntos e lemos um a mente do outro, que lemos a nós mesmo como se fôssemos um, e por sermos um e sermos iguais, nossos desejos nos afastou, queremos sempre mais e mais e sempre vamos querer, esta é a nossa essência e não vai mudar, e não vou dizer que quando realizarmos todos os nossos desejos tudo vai ficar bem, porque provavelmente estaremos bem de outra forma, sabemos nos substituir em nós mesmo. 
Hoje é um dia chuvoso e não é um dia daqueles ensolarados, de certa forma, me faz colocar os meus pés no chão e não imaginar longe, afinal,"We're one, but we're not the same. Well, we hurt each other, then we do it again." E quem sabe continuamos a viver o agora, eu continuo a viver o agora, resolvendo fechar os meus olhos para não encontrar esse olhar, trocando um punhado de lembrança por um punhado de vivencia, perdendo tempo cosendo pra dentro e não pra fora With or Without you!

Um comentário:

  1. Talvez com um final feliz o texto ficaria melhor mas pelo jeito esses finais felizes ficam restritos aos filmes e histórias da nossa infância.

    Porém insisto em acreditar que a busca dessa felicidade, desse final feliz é inevitável.

    Mas viver é aprender e só vivendo para que um dia eu consiga resolver essas incógnitas que emanam do coração.

    Camila, gostei muito da postagem, e ainda fico perplexo com a habilidade linguística que a senhorita domina, parabéns!

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